sexta-feira, 24 de agosto de 2012


E você cresce aprendendo que pode ser feliz. Aí você conhece aquele cara ou aquela moça e pá, a felicidade te encontrou. Que cedo, não? Mas não pode reclamar, você é sortudo por ter encontrado antes de todo mundo que ainda tá por aí procurando. Aí você vive o romance e acredita que nada vai fazer com que aquilo acabe, afinal, é algo incrível e incomparável. Primeira decepção chega e você balança, mas não ia mesmo ser tão fácil, né? A segunda vem e você cai, mas levanta, afinal é sua felicidade, tem que continuar de pé apesar dos pesares. Terceira, quarta, quinta, etc, você cai e não quer levantar. O mundo acabou, as pessoas são todas ruins e esse lance de amor é pura baboseira. Você faz merda, fica por quem não merece e vai embora deixando pra trás pessoas maravilhosas. E assim vai, tropeçando, tirado a poeira da roupa sempre que cai, parando em lugares estranhos e se envolvendo com inúmeras pessoas, certas e erradas, mas que você ainda não sabe distinguir. Aí você tá lá sentado no banco da pracinha em uma tarde qualquer e vê aquela pessoa, sorri e pensa "bem que podia ser ele(a)". E ri da ideia, porque sempre podia ser e nunca é. Mas vocês conversam, prestam mais atenção no sorriso do outro do que se dão conta. Trocam números de celular e voltam pra casa ainda pensando "bem que podia ser ele(a)". E a noite, quando deitam a cabeça no travesseiro sentem um desejo imenso de mandar um sms, sem nenhuma segunda intenção, só porque lembrou do sorriso. E dorme sorrindo ao ver a resposta. E acorda querendo mais. E aos poucos vão descobrindo que tem mais em comum do que pensavam, percebem que o mundo não foi cruel só com vocês dois, mas com todas as pessoas. E querem mostrar pro mundo que no meio de tanta coisa errada vocês podem dar certo. E num é que dão? E trocam sorrisos e olhares e vontades. E vem o beijo, o carinho e o desejo de fazer o outro feliz. E conversam mais do que qualquer outro casal e se sentem completamente em casa só de estar ao lado do outro. E se gostam. E se amam. E descobrem que pra ser feliz, não basta acreditar em destino, tem que construir o caminho. As certezas podem estar esperando vocês no fim da estrada, mas até lá vocês terão que se concentrar em driblar os obstáculos de incertezas que o mundo dá. Seguram firme na mão do outro e vão. Porque amor é isso, largar a mão do mundo e segurar firme a mão do outro, o coração do outro. 

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